sexta-feira, 8 de julho de 2011

O primeiro São Pedro sem a minha avó

Olá a todos. Vou falar um bocadinho do meu São Pedro, porque só agora é que me sinto capaz de o fazer.
Este ano o São Pedro foi um bocado(grande) diferente dos outros anos. Como tem sido há muito tempo a minha família não digo toda, mas quase toda costumamos nos reunir na casa da minha avó e assar umas sardinhas, assar carne como tiras, febras,etc.
Como somos uma família grande uns comem no quintal outros friorentos como eu comem dentro de casa. Dentro da casa costumava comer eu, o meu marido, a minha filha que nunca pára que está sempre a passear dentro e fora da casa e a minha querida avó.
Pois aí está o meu grande desgosto, este ano não estava a minha avó e era a segunda vez que eu tinha entrado na casa dela desde a sua morte. Eu cresci naquela casa, eu vivi durante dezassete anos com ela e dormi muitos mas muitos anos com a minha avó. Depois de sair daquela casa vivia mesmo ao lado, ora um bom pretexto para estar sempre lá metida. Algum tempo depois casei e passados uns anos vim viver para a vila do conde(formariz),mas apesar de estar um bocadinho mais longe nunca deixei de ir à minha avó, sempre que tivesse tempo lá estava eu. A minha filha também foi criada até os três anos lá, mais um motivo para ir mais vezes lá e estar com a minha querida avó.
Como devem imaginar aquela casa traz me muitas lembranças das quais tenho imensas saudades e me fazem chorar. O ultimo ano antes dela morrer foi um tormento para mim, vê-la tão frágil e debilitada, sempre com dores e a correr para o IPO e eu ali ao seu lado sem poder fazer nada. Aí reparei que nós não somos nada, que devemos levar a vida na boa sem fazer mal a ninguém. Para mim entrar no IPO era uma tortura, pois eu entrava na parte dos doentes terminais, que angustia pensava eu tantas pessoas a sofrer lá dentro e cá fora tantas pessoas a fazerem mal ao seu semelhante.Como nada podia fazer em relação à sua doença, decidi acompanha-la até ao fim. Quando estava em frente à minha avó fazia-me de forte, porque estava ali para a confortar e não para ser confortada, apesar de algumas vezes isto ter acontecido porque sou humana e por vezes as minhas forças acabavam. Para poder ter mais forças ia buscar ao meu marido ou à minha filha que tanto me ajudaram e apoiaram-me sempre.Na noite de São Pedro estava constantemente a olhar para a mesa onde a minha avó comia e a seguir ouvi a minha tia a chorar e eu que há tanto tempo me estava a conter as lágrimas soltaram-se e nunca mais queriam parar. O meu marido imediatamente tentou me tirar da casa da minha avó, mas enquanto ele foi chamar a Maria eu fui indo para a porta da rua e passei no quarto onde a minha avó passou o ultimo ano da sua vida e liguei a luz e dei por mim a chamar por ela até que a minha prima me viu e disse " Sílvia já não está ai ninguém, já esteve" e ao ouvir tais palavras só Deus sabe como me doeram parecia que me tinham espetado uma faca no coração. Mas a verdade é que ela já não está cá faz amanhã dia 9/7/2011 5 meses. Mesmo agora a escrever isto tenho os olhos cheios de lágrimas que quase não vejo o que escrevo.
Depois fui dar uma volta e ver as rusgas e acalmei um pouco. Fui ver o meu Bairro Sul que tanto gosto e que todos os anos passa em frente à casa da minha avó. Enquanto estava a passear estava a tentar ver o meu irmão e a Diana a sua namorada. Eles estavam a dançar no Regufe, mas não os consegui ver nessa noite. Só no outro dia no cortejo que deu à noite é que os vi.E assim foi o primeiro São Pedro sem a minha avó.

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